Ativista com Esclerose Lateral Amiotrófica morreu em decorrência de complicações da doença na última segunda (9)

*Texto de Anne Caroline Bomfim – Jornalista

A nobreza da alma mora nas atitudes. Pete Frates marcou a história do ativismo em prol dos pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica. Morreu em decorrência de complicações da doença, na última segunda-feira (9), mas o seu legado vai permanecer vivo para sempre.

HISTÓRIA e DIAGNÓSTICO DE ELA

Pete com sua esposa e filha

Pete nasceu em 28 de dezembro de 1984, na cidade de Beverly, Massachusetts, Estados Unidos. Era ex-jogador de beisebol, casado, esposo de Julie, e pai de Lucy, de 5 anos.

Durante um jogo, notou uma fraqueza muscular após receber uma bolada no pulso. Ele treinava pela Boston College e também chegou a jogar profissionalmente na Alemanha.

Foi diagnosticado com ELA em 2012. Meses mais tarde, a própria universidade anunciou que o seu novo centro de treinamento seria batizado em homenagem a Frates.

DESAFIO DO BALDE DE GELO

Bill Gates, Mark Zuckerberg, Gisele Bundchen, Ivete Sangalo e Ana Maria Magra fazem o desafio o balde de gelo

Junto com o amigo Corey Griffin, morto em 2014 em um acidente de mergulho – popularizou o desafio do Balde de Gelo.

O Ice Bucket Challenge consiste em jogar um balde de água gelada com gelo sobre a própria cabeça ou a cabeça de alguém para promover a conscientização sobre a ELA e incentivar doações para pesquisas.

Depois que Pete divulgou o desafio, celebridades do mundo inteiro gravaram vídeos chamando atenção para a causa, inclusive no Brasil. O desafio conseguiu arrecadar mais de 220 milhões de dólares.

Além disso, mais de 15 milhões de pessoas falaram sobre o assunto no Facebook.

DEPOIMENTOS

“Um líder natural e o melhor companheiro de equipe, Pete era um exemplo para todos, especialmente jovens atletas, que se espelhavam nele por sua coragem e otimismo enquanto enfrentava adversidades. Foi um lutado nobre que inspirou todos nós a usar nossos talentos e força a serviço dos outros,” disse a família de Frates, em nota.

“Pete nunca viu a sua doença como uma fragilidade. Escolheu, em vez disso, dar esperança a outros doentes e famílias”, seguiu a mesma nota.

A diretora científica do Instituto Dr. Hemerson Casado, a fisioterapeuta neuromuscular, Alessandra Corrales, fez uma publicação emocionante em suas redes sociais:

O mundo lamenta sua perda. E nosso coração é tão grato por tudo que fez por olhar além de você. A nobreza está em pessoas que lutam por pessoas, que lutam pela VIDA!

Você está na história e no coração de todos nós. Quem dera metade das pessoas fizessem 1% do que fez. Aqui no Brasil quantas vidas foram SALVAS só pela campanha do Balde de Gelo.

Por arrecadar dinheiro pra compra de aparelho respiratórios que foram emprestados a pacientes enquanto o governo não cedia.

Quantos pacientes puderam voltar a se comunicar, se expressar, saíram do cativeiro interno, do casulo, através de aparelhos de comunicação doados por algumas associações graças a doações de pessoas a essas instituições. Graças a você!

Que esse momento tome a consciência das pessoas e as façam rever, se solidarizar e quem saber voltar a doar…porque nossos pacientes continuam aí precisando de doações, de ventiladores respiratórios, de aparelhos de comunicação pra se expressar, pra dizer o que sentem, o que querem.

Quem sabe esse momento não gera uma segunda onda de doação em massa aos pacientes com ELA em homenagem ao Peter Frankes.

Ahhh seria lindo! Seria uma linda homenagem!

Palavras nunca serão suficientes para demonstrar a sua tamanha bravura, Pete. Obrigado por toda a sua dedicação, honestidade, inteligência, competência e, acima de tudo, brilhantismo. Você é e sempre será inesquecível.

*com informações de agências nacionais e internacionais