É preciso reforçar a limpeza de objetos como barras de apoio e cadeira de rodas; casos de coronavírus foram registrados no Brasil e autoridades estão em alerta para pandemia

*Texto de Anne Caroline Bomfim (Jornalista)

O mundo inteiro vive uma pandemia do novo coronavírus. O COVID-19 já se espalhou por todos os países e continentes, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mas o que tem sido feito para frear a proliferação do vírus?

No Brasil, por exemplo, governos municipais e estaduais já adotaram algumas medidas como o cancelamento de eventos, shows e espetáculos culturais, bem como regime de trabalho home office e até alterações no calendário escolar e suspensão das aulas em alguns colégios da rede pública e particular.

Mas não é preciso entrar em pânico. Atitudes simples podem ajudar, e muito, a combater o novo coronavírus. As pessoas com doenças raras podem se enquadrar no grupo de risco e devem reforçar a higiene dentro e fora de casa.

O Instituto Dr. Hemerson Casado reuniu 14 informações importantes que você precisa saber sobre esse assunto. Continue leitura!

1. O QUE É O CORONAVÍRUS?

Ao contrário do que muita gente pensa, coronavírus não é o nome de uma doença em si e sim de uma família de vírus que causa infecções respiratórias brandas e moderadas em seres humanos e animais, como camelos, gatos e morcegos, desde meados dos anos 1960.

Em 2002 e 2003, a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) infectou mais de 8 mil pessoas no mundo e causou quase mil mortes em mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia. Mas, desde 2004, nenhum caso tem sido relatado mundialmente.

Em 2012, foi isolado outro novo coronavírus, o MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), inicialmente na Arábia Saudita e posteriormente em outros países do Oriente Médico, Europa e África.

Em 2020, um novo vírus passou a circular e teve origem em um grande mercado de frutos do mar cidade de Wuhan, na China. Até o fechamento deste texto, o Brasil já havia confirmado 291 casos do novo coronavírus no Brasil, a maioria em São Paulo, segundo o Ministério da Saúde.

Segundo informações da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, foram registradas, em todo o mundo, mais de 7 mil mortes pelo vírus.

Foto: (UOL Viva Bem)

2. QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO NOVO CORONAVÍRUS?

Os sinais do novo coronavírus são semelhantes ao de um resfriado, como coriza, tosse, dor de garganta e febre. Pode evoluir para pneumonia, dores no peito e dificuldade para respirar.

Os sintomas podem piorar em idosos, pessoas com doenças crônicas ou com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido.

3. COMO O NOVO CORONAVÍRUS É TRANSMITIDO?

A transmissão do coronavírus pode acontecer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, toque ou aperto de mão e contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, olhos e nariz.

De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa que tenha contato próximo com alguém com sintomas respiratórios pode ser exposta à infecção. Ainda não se sabe com que facilidade o coronavírus se dissemina de pessoa para a pessoa, mas os pesquisadores acreditam que o vírus apresenta uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe.

4. COMO O NOVO CORONAVÍRUS É DIAGNOSTICADO?

Colhendo secreção do nariz e da boca do paciente. As amostras são encaminhadas para os laboratórios centrais da Saúde Pública dos Estados (Lacen).

5. EXISTE TRATAMENTO PARA O NOVO CORONAVÍRUS?

Não há tratamento específico para o novo coronavírus. Se o diagnóstico for confirmado, o paciente deve procurar ajuda médica para traçar a melhor conduta terapêutica.

Na maioria dos casos, o tratamento envolve a administração de líquidos, boa alimentação para fortalecer o sistema imunológico, uso de medicamentos para dor e febre (analgésicos e antitérmicos), uso de umidificador no quarto, banho quente para auxiliar no alívio da tosse e, em casos mais graves, oxigenação suplementar.

O Ministério da Saúde orienta que os casos graves devem ser encaminhados a um Hospital de Referência para isolamento e tratamento. Os casos leves devem ser acompanhados pela Atenção Primária em Saúde (APS) e instituídas medidas de precaução domiciliar.

6. QUEM DEVE FICAR ISOLADO POR CAUSA DO NOVO CORONAVÍRUS?

Primeiramente, é importante destacar que a decisão de optar pelo isolamento deve passar pela avaliação de um profissional da saúde. Não deve sair de casa e evitar contato humano:

  • Pessoas que receberam confirmação de COVID-19;
  • Pessoas assintomáticas, mas que foram diagnosticadas com a COVID-19;
  • Pessoas com suspeitas da doença, mas que ainda não tiveram confirmação dos exames;
  • Pessoas que mantiveram contato próximo com alguém infectado.

O hospital fica restrito aos casos mais severos.

7. QUAL O PERÍODO DE INCUBAÇÃO DO VÍRUS?

O coronavírus possui um período médio de incubação de 5 dias, com intervalos que podem chegar a 12 dias. Após o início dos sintomas, o infectado pode transmitir o vírus em até 7 dias. Vale lembrar que a transmissão do novo coronavírus pode ocorrer mesmo sem o aparecimento de sintomas.

A OMS decretou a pandemia do novo coronavírus. (Foto: Suwit Nimjitt / EyeEm/Getty Images)

8. POR QUE A OMS DECRETOU PANDEMIA?

A Organização Mundial da Saúde reconheceu que estratégias de tentar conter o vírus podem não estar sendo suficientes, mas o trabalho que está sendo realizado em todas as nações precisa continuar.

A palavra “pandemia” significa que houve um aumento repentino no número de casos da doença em vários países e continentes.

No entanto, essa palavra pode estar sendo usada de maneira incorreta por algumas pessoas, o que provoca medo irracional ou até mesmo aceitação de que a luta acabou, gerando sofrimento desnecessário.

9. QUAL A DIFERENÇA ENTRE ISOLAMENTO E QUARENTENA?

Um estado de quarentena tem como objetivo frear a transmissão do vírus para que o sistema único de saúde consiga tomar medidas com o aumento do fluxo de pacientes.

Neste caso, a população passa por restrições de movimentação e, em paralelo, estabelecimentos podem ser fechados, como é o caso da Itália, que já registrou mais de dois mil mortos pelo novo coronavírus.
Apesar de ter casos confirmados no Brasil, o Ministério da Saúde não decretou quarentena no país, mas já criou uma portaria que regulamenta uma possível quarentena, caso haja necessidade.

10. EXISTE VACINA PARA O CORONAVÍRUS?

Infelizmente não. Recentemente, pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP anunciaram que estão desenvolvendo uma vacina contra o novo coronavírus. Os cientistas brasileiros esperam acelerar o desenvolvimento da vacina e testá-la em animais nos próximos meses.

Já nos Estados Unidos, os primeiros testes em humanos de uma vacina contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) já começaram A vacina será testada em pelo menos 45 pessoas, mas somente deverá ser liberada ao público em 12 meses ou mais.

Lavar as mãos é uma medida de prevenção ao novo coronavírus (Foto: Divulgação)

11. COMO POSSO REDUZIR O RISCO DE INFECÇÃO DO NOVO CORONAVÍRUS?

• Evitar contato com pessoas doentes ou com sintomas de infecção (tosse, coriza, febre);
• Abster-se de contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
• Não compartilhar objetos de uso pessoal;
• Lavar frequentemente as mãos e usar álcool gel;
• Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
• Manter os ambientes bem ventilados;
• Limpar e desinfetar objetos e superfícies que sejam tocados com frequência;
• Fugir de aglomerações.

12. É VERDADE QUE PRODUTOS DA CHINA PODEM CONTER O VÍRUS?

Não. O novo coronavírus é um vírus semelhante ao vírus da gripe. Partículas virais sobrevivem em uma superfície por apenas algumas horas, de acordo com a OMS.

13. DEVO USAR MÁSCARA FACIAL PARA ME PROTEGER DO CORONAVÍRUS?

Não. As máscaras são recomendadas para as pessoas que estejam apresentando algum sintoma ou para quem está em contato direto e/ou cuidando de um infectado. Se você for diagnosticado com o novo coronavírus, é recomendável que utilize para evitar a disseminação da doença. A Organização Mundial da Saúde destaca que é necessário o uso racional das máscaras para conter o desperdício.

14. EXISTE ALGUMA RECOMENDAÇÃO ESPECIAL PARA AS PESSOAS COM DOENÇAS RARAS?

Sim. Pessoas com doenças raras e/ou com deficiência, como Escleroses, Síndromes variadas, Poliomielite, Paralisia Cerebral etc são um segmento da população sujeito a um maior risco.

Além de tomar as precauções comuns à todas as pessoas, é necessário reforçar a limpeza de objetos utilizados no dia a dia, como barras de apoio, cadeiras de rodas, cadeiras motorizadas, utensílios etc

*com informações da Fiocruz, Ministério da Saúde, Hospital Infantil Sabará, Unimed e OMS